sábado, 8 de janeiro de 2011

13- Vera Cruz e Santa Cruz - O luxo e o conforto nas viagens dos sonhos


Foto de autoria de Flávio Francesconi Lage, ex-Superintendente da RFFSA em Belo Horizonte - MG.

Data da foto: 1980
Local: Pátio da Estação Ferroviária da E.F.Central do Brasil em Belo Horizonte - MG.


Depois do Cruzeiro do Sul, do Noturno Mineiro, N-1 e N-2, do Rápido R-1 e R-2 foi a vez dos magníficos e gloriosos trens Vera Cruz e Santa Cruz, novamente entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte no caso do Vera Cruz e entre Rio de Janeiro e São Paulo, no caso do Santa Cruz.

A partir de 1943, a E.F.Central do Brasil já recebera suas primeiras encomendas de locomotivas diesel-elétricas, no caso as fabricadas pela AMERICAN LOCOMOTIVE COMPANY - ALCO (BUZELIN, 2002), ao mesmo tempo em que preparava terreno para a chegada dos famosos carros BUDD em aço inóx, para formar num futuro bem próximo, o Vera Cruz e o Santa Cruz, com a inovação e implantação do CONTROLE DE TRÁFEGO CENTRALIZADO, o primeiro da América Latina (BUZELIN, 2002), na região entre Barão de Vassouras e Barão de Juparanã, na famosa Linha do Centro, em bitola larga (1,60m).

Paralelamente a isto, a indústria ferroviária dava grandes saltos de desenvolvimento nos Estados Unidos da América, com as atividades da fábrica de Edward Growen Budd, conhecida como THE BUDD COMPANY (BUZELIN, 2002), que fabricara os famosos Carros Budd, dentre inúmeras outras produções.

A CENTRAL DO BRASIL encomendou, ao todo, 63 carros à THE BUDD COMPANY, mas os carros Budd não vieram todos de uma só vez; vieram em várias remessas. Na primeira, em 1947, segundo informações de Paulo Roberto de Oliveira Cerezzo, citando BUZELIN, 2002, vieram 23 carros, dentre esses, Carros Correio com a inscrição DCT - DEPARTAMENTO DE CORREIOS E TELÉGRAFOS; Carros Bagagem-chefe de trem; Carros Restaurante e Carros Poltrona, com capacidade para 56 passageiros, chegaram no navio SS Beijeanne norueguês (BUZELIN, 2002).

Na segunda remessa, mais 21 carros vieram, dentre eles, Dormitórios com cabine dupla e outros com cabines individuais; Carros Poltrona com capacidade para 76 passageiros; Carros cauda com salão e Carros Administração e, finalmente, os 19 restantes (BUZELIN, 2002).

A viagem experimental ocorreu em 1948 e, no histórico dia de 29 de abril de 1950, aniversário da Estrada de Ferro Central do Brasil, ocorreu a viagem inaugural dos trens Vera Cruz e Santa Cruz, que impressionariam as gerações durante décadas. Foi com assombro e grande deslumbramento que a sociedade brasileira, acostumada com os carros de madeira e os de aço carbono da ACF, ainda que luxuosos e sofisticados, contemplou os belíssimos carros Budd em aço inóx, chamando os trens por eles formados de "Trem de aço", "Trem de luxo" dentre outros (BUZELIN, 2002).

Os Trens foram assim divididos: o Santa Cruz Diurno como DP-1, do Rio de Janeiro para São Paulo e o DP-2 também Diurno, de São Paulo para o Rio. Os prefixos DP, significa D = luxo; P = referênte ao ramal de São Paulo. O DP-1, segundo informações de Cerezzo, partia do Rio às 08h:00m e chegava à São Paulo às 17h:00m. O DP-2 partia de São Paulo às 08h:00m e chegava ao Rio às 17h:00m.

Havia os DP-3 e DP-4, sendo estes, porém, Noturnos, com dormitórios-cabine na composição. O DP-3 partia do Rio de Janeiro às 23h:00m e chegava à São Paulo às 08h:00m. O DP-4 partia de São Paulo às 23h:00m, mesmo horário, porém, em sentido contrário, para o Rio, onde chegava também às 08h:00m.

No caso do Vera Cruz, havia os prefixos D-3 e D-4 exclusivamente Noturnos, com Carros Dormitórios cabine dupla e individual. Trens de prefixo D-1 e D-2, no caso do Vera Cruz, somente as chamadas automotrizes (Carros Budd com motores próprios) devido a existência do Noturno Mineiro de prefixo N-1 e N-2, que existiam paralelamente com o Vera Cruz. O Noturno Mineiro existiu junto com o Vera Cruz até o dia 13 de dezembro de 1973, quando fora suprimido. As automotrizes Budd entre o Rio de Janeiro e São Paulo tinham prefixos DE-1 e DE-2.

O Vera Cruz cujo prefixo era D-3 partia do Rio de Janeiro às 20h:15m e chegava à Belo Horizonte às 08h:30m. Já o D-4, fazia o sentido contrário, partindo de Belo Horizonte também às 20h:15m e chegando ao Rio às 08h:30m da manhã do dia seguinte. O D-3 e o D-4 cruzavam-se na cidade de Ewbanck da Câmara - RJ.

Foto enviada por Wolmer Andrade
Carro Budd Cauda-Salão


Foto de autor não identificado, enviada por José Emílio de Castro H. Buzelin

Interior do Carro Budd Cauda-Salão, o mesmo da foto acima.

As poltronas, extremamente confortáveis, em alguns Carros Cauda eram giratórias, o que proporcionava maior prazer às viagens. Este carro era utilizado pelos passageiros e funcionava como uma espécie de sala de estar, para os passageiros que passavam boa parte da viagem conversando.



As automotrizes Budd, também denominadas RDC = Rail Diesel Car, sigla registrada pela Budd Manufacturing Co, entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro, no caso, as de prefixo DE-1 e DE-2, num período de 1959 a 1964, partia, a DE-1, do Rio para Belo Horizonte e a DE-2, de Belo Horizonte para o Rio. Depois, o trecho percorrido por elas foi reduzido somente entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora.

Para se ter uma idéia da beleza e design de uma automotriz, vejam a foto abaixo, embora esta seja do trecho Paraná - Santa Catarina:
Foto de autoria de José P. Vignoli, acervo de José Emílio de Castro H. Buzelin, editada no site da CENTRO OESTE.

URL: http://vfco.brazilia.jor.br

Link da foto: http://vfco.brazilia.jor.br/TU/rdc/72litorinas.shtml


Assistam ao vídeo abaixo, no qual mostra uma Litorina sendo tracionada por uma locomotiva diesel SD-40-2 da MRS-Logística:

video

Vídeo de autoria e acervo de Silvério Borges,
editado em seu canal do YouTube.


URL do canal: http://www.youtube.com/user/ssbbppnn

Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=W1a6cUrWul8







Protótipo original de planta de Litorina RDC da EFCB
Foto de acervo de Marcio Hipolito






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUZELIN, José Emílio de Castro Horta; SETTI, João Bosco; COELHO, Eduardo José de Jesus. CARROS BUDD NO BRASIL - 1: Os Trens Que Marcaram Época - pág. 18. SOCIEDADE DE PESQUISA PARA MEMÓRIA DO TREM - 2002.

Continua...


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

12- Noturno Mineiro - Um Noturno para Belo Horizonte


O ano é 1920, no qual a bitola larga (1,60m) chegou à Belo Horizonte, partindo da estação de Joaquim Murtinho, pelo ramal do Paraopeba. Nesta ocasião, o Rei Alberto da Bélgica, em visita especial ao Brasil, veio, do Rio de Janeiro à Belo Horizonte, num trem especial, formado por luxuosos Carros Administração e Dormitórios, para as festividades da comemoração da chegada da bitola larga à capital mineira.

A E.F.Central do Brasil mantinha a tradição de seus formidáveis carros de madeira para passageiros, muitos deles construídos nas oficinas do Norte, Trajano de Medeiros no Rio de Janeiro, São Diogo, Valença e outros ainda, pela LINK NORMAN.
Por essa época, fora formado um trem de passageiros que ficou conhecido na história como Noturno Mineiro, cujo percurso era do Rio de Janeiro à Belo Horizonte. O Noturno Mineiro, obviamente, possuia Carro Dormitório e Carro Restaurante em sua composição completa. Alguns anos mais tarde, em 1929, paralelamente a isto, a E.F.Central do Brasil encomendou os primeiros carros de aço carbono à American Car and Foundry - ACF, para formar o Trem Cruzeiro do Sul, cujo percurso era do Rio de Janeiro à São Paulo.

Pouco se sabe a respeito dos carros de madeira que formavam o antigo Noturno Mineiro, porém, existem algumas raras plantas desses veículos, às quais, seguem algumas, abaixo.


Carro Administração em madeira, bitola 1,60m série O - Noturno Mineiro, construído pela E.F.C.B. nas Oficinas do Norte em 1910.




Carro Restaurante em madeira R-104, bitola de 1,60m, construído pela Metropolitan Car em 1911.



Carro 1ª classe em madeira P-118, bitola de 1,60m, construído nas Oficinas IFL-1

Todas as plantas acima me foram enviadas por Reinaldo Beato, Tesoureiro-Sócio da ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE FERREOMODELISMO, situada à rua Sapucaí no bairro Floresta, em Belo Horizonte - MG.


O trem de passageiros conhecido como Noturno Mineiro, tinha como prefixos N-1 e N-2, respectivamente. O N-1 partia do Rio de Janeiro para Belo Horizonte e o N-2, de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. Havia, ainda, o chamado Rápido Mineiro, cujos prefixos eram R-1 e R-2 respectivamente, sendo que o R-1 partia do Rio para Belo Horizonte e o R-2, de de Belo Horizonte para o Rio.

Havia, ainda, os trens de prefixo R-3 e R-4, que faziam o percurso de Belo Horizonte - MG à São Paulo - SP, através do ramal de São Paulo, em Barra do Piraí - RJ. O R-4 partia de Belo Horizonte para São Paulo e ao chegar em Juíz de Fora - MG, às 21h:00m, recebia Carros Dormitórios em sua composição e mudava seu prefixo para RP-3, de Barra do Piraí à São Paulo. Já o RP-4, partia de São Paulo para Belo Horizonte com sua composição completa, com Carros Dormitórios e Restaurante e, ao chegar em Barra do Piraí, mudava seu prefixo para R-3 e, ao chegar em Juiz de Fora, os Dormitórios eram desengatados da composição, que seguia, no entanto, com o Carro Restaurante e os demais carros.

Nos anos 50, com a extinção do Trem Cruzeiro do Sul, seus carros ACF passaram a integrar a composição do Noturno Mineiro (N-1 e N-2) e do Rápido Mineiro (R-1 e R-2), conferindo Luxo e glamour ao Noturno Mineiro, com os dormitórios da ACF.

Eis, abaixo, fotos e plantas dos carros da ACF, Cruzeiro do Sul, que passaram a integrar a composição do Noturno Mineiro a partir dos anos 50:




Noturno Mineiro na Estação Dom Pedro II no Rio de Janeiro - RJ, preparando sua partida para Belo Horizonte - MG, foto de autoria de Leonardo Bloomfield.




Carro Dormitório-cabine ACF
Foto enviada por José Emílio de Castro H. Buzelin





Carro Dormitório-cabine ACF - Cruzeiro do Sul
Foto de autoria de José Emílio Buzelin, editada no site: http://www.railbuss.com.br



Leonardo Bloomfield no interior da cabine do Carro Dormitório ACF do Noturno Mineiro N-2, de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, nos anos 50.

Foto de autoria e acervo de Leonardo Bloomfield, editada no site: http://www.estacoesferroviarias.com.br

URL da foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/trens_sp_3/cruzeirosul.htm


Depoimento de Leonardo Bloomfield

"Anos 50, anos dourados, esta cabine era transversal ao carro, e não era a de n° 17/18, central e longitudinal ao carro, que eu mais gostava. Havia uma só desse tipo nos carros do "Cruzeiro do Sul". Sempre que possível, viajava nela. Aqui, nesta viagem, eu chegava de Belo Horizonte com o carro acoplado à composição do N-2".


Planta do Carro Dormitório DC-301 ACF, do Noturno Mineiro (ex- Cruzeiro do Sul).


Fotografia de autoria de Guido Motta - Acervo da SOCIEDADE DE PESQUISA PARA MEMÓRIA DO TREM, editada no blog Almanaque Geral Ferroviário, de José Emílio de Castro H. Buzelin

URL: http://almanaquedarffsa.blogspot.com/2010/01/rffsa-volume-iii-capitulo-15.html

Local da foto: Oficinas de São Diogo - RJ





Interior do Carro Restaurante ACF R-201 do Noturno Mineiro (ex-Cruzeiro do Sul).
Foto de acervo da REVISTA FERROVIÁRIA, editada no site de Ralph Mennucci http://www.estacoesferroviarias.com.br

URL da foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/trens_sp_3/cruzeirosul.htm


Carro Restaurante ACF R-201 ex- Cruzeiro do Sul

Fotos enviadas por Reinaldo Beato, da ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE FERREOMODELISMO.


As fotos em cores, acima, representam os carros do extinto Trem Cruzeiro do Sul, mas
LEMBREM-SE: após a extinção do Cruzeiro do Sul, seus carros passaram a integrar a composição do Noturno Mineiro.


Para aqueles que, por ventura acreditam que os carros de madeira do antigo Noturno Mineiro não conferiam luxo, conforto e glamour à composição, observem com muita atenção as fotos abaixo:

Foto de autoria de Eliezer Poubel Magliano, fotografada nas oficinas do Horto Florestal em Belo Horizonte - MG em julho de 2004. A foto me fora enviada por Paulo Roberto de Oliveira Cerezzo, ex-gerente da General Elétric em Contagem - MG

Convém lembrar que este Carro Administração em madeira é um veículo de bitola larga (1,60m), o que condiz exatamente com a realidade do Noturno Mineiro, também de bitola larga. O veículo acima, está na fase RFFSA, mas fora construído pela E.F.Central do Brasil provavelmente nas Oficinas do Norte.

Vejam, agora, o interior deste magnífico Carro Administração, na foto abaixo:

Foto de autor não identificado, enviada por Paulo Roberto de Oliveira Cerezzo.

Então, antes mesmo de se pensar que o luxo, o conforto e o glamour eram conferidos apenas pelos carros de aço, é bom lembrar que a Central do Brasil não brincava em serviço, com seus luxuosos, confortáveis e requintados carros de madeira!




Abaixo, o horário do Rápido Mineiro R-1, do Rio de Janeiro à Belo Horizonte



Guia Levi de 1962 contendo o horário do Rápido Mineiro R-1. Acervo de Ralph Mennucci, editado no seu site: http://www.estacoesferroviarias.com.br

URL da foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/trens_mg/veracruz.htm




Guia Levi de 1948 contendo o horário do Noturno Mineiro N-1. Acervo de Ralph Mennucci, editado no seu site: http://www.estacoesferroviarias.com.br

URL da foto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcb_mg_linhacentro/alfvasconcelos.htm


Por questões de pouca visibilidade do Guia Levi acima, achei por bem postar os horários manualmente, abaixo, para melhor conhecimento dos leitores.


Horário do Noturno Mineiro prefixo N-1, partida da Estação D.Pedro II no Rio de Janeiro - RJ (1948).

  • D. Pedro II (Rio de Janeiro - RJ - Part. 18h:30m;
  • Japerí - Cheg. 19h:43m / Part. 19h:49m;
  • Jeruaba - 20h:29m;
  • Barra do Piraí - Cheg. 21h:09m / Part. 21h:15m (entrada de Carro Leito em serviço);
  • Barão de Vassouras - Cheg. 21h:40m / Part. 21h:42m;
  • Desengano - Cheg. 21h:47m / Part. 21h:52m;
  • Paraíba do Sul - 23h:01m;
  • Três Rios - Cheg. 23h:13m / Part. 23h:19m;
  • Afonso Arinos - Cheg. 00h:05m / Part. 00h:09m;
  • Matias Barbosa - 00h:46m;
  • Juiz de Fora - Cheg. 01h:18m / Part. 01h:28m;
  • Mariano Procópio - 01h:30m;
  • Bemfica - Cheg. 01h:49m / Part. 01h:51m;
  • Sérgio de Macedo - 02h:34m;
  • Santos Dumont - Cheg. 02h:44m / Part. 02h:51m;
  • Sítio (Atual Antônio Carlos) - 03h:51m;
  • Barbacena - Cheg. 04h:11 / Part. 04h:17m;
  • Carandaí - 05h:14m;
  • Conselheiro Lafaiete - Cheg. 06h:06m / Part. 06h:13m;
  • Congonhas do Campo - 06h:45m;
  • Camapuan - 07h:10m;
  • Belo Vale - 07h:42m;
  • Marinhos - 08h:16m;
  • Brumadinho - 08h:51m;
  • Belo Horizonte - Cheg. 10h:20m.


Este é o horário do Noturno Mineiro prefixo N-1, de acordo com o Guia Levi de 1948 (acima).
Ainda não encontrei o horário do N-2, mas se acaso o encontrar, o postarei aqui, com certeza.

sábado, 1 de janeiro de 2011

11- Antigo Carro Leito de madeira PD-8 com corredor central _ E.F.Central do Brasil

Planta original do veículo, provavelmente, procedente do caderno de plantas de veículos ferroviários de Flávio Francesconi Lage ex-Superintendente da RFFSA em Belo Horizonte - MG.





Foto-desenho de autoria de Hélio dos Santos Pessoa Júnior.

Este antigo Carro Leito (Dormitório) de madeira, com corredor central, da E.F.Central do Brasil, esteve, por longos quarenta anos, no anonimato da história ferroviária, perdido na longa noite dos tempos e da própria memória ferroviária.

Finalmente, uma representação, até o presente momento, a mais fiel possível, do antigo, misterioso e tradicional Carro Leito em madeira, para passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil. Este Carro Leito virou uma verdadeira lenda, para aqueles que conheceram e acompanharam a evolução da história das grandes ferrovias que marcaram época no Brasil, as ferrovias que foram as grandes pioneiras no desenvolvimento econômico do país, das cidades e da sociedade, como é o caso da grandiosa E.F.Central do Brasil.

A história deste carro, segundo a planta original do próprio veículo, (acima) teve início no ano de 1957 nas oficinas da E.F.Central do Brasil - IFL-2 no Horto Florestal, em Belo Horizonte - MG, coincidentemente, o ano no qual a RFFSA fora fundada. Este carro tinha excelência em serviços prestados, guardava a tradição sobre trilhos e foi construído em bitola métrica (1,00 m) para integrar, com toda a certeza, a composição do antigo Trem do Sertão, formado, na ocasião, por carros igualmente em madeira e locomotiva a vapor, na Lendária Linha do Centro em bitola métrica, da EFCB, lembrando que a linha mais importante e mais extensa em bitola métrica, era a Linha do Centro, de Belo Horizonte a Monte Azul. Portanto, é mais do que lógico e coerente com a razão supor que este Leito da Central fora construído para integrar a composição do antigo Trem do Sertão.

Uma curiosidade, este carro tinha o corredor central e leitos (beliches) longitudinais de um lado e do outro do carro e os "quartos" (6 de cada lado) fechados com luxuosas cortinas de cetin, formando, ao todo, 24 leitos, ou seja, capacidade total para 24 passageiros. Devido a um antigo acordo da Companhia Vale do Rio Doce com a Estrada de Ferro Central do Brasil, um antiquíssimo carro leito muito parecido com este do desenho (infelizmente não há esperanças de se resgatar sua memória histórica) também integrou a composição dos trens de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas que, desde 1939, e principalmente nos anos de 1950, explorava o antigo ramal de Nova Era - MG. Este carro leito do desenho acima e um outro idêntico, de inscrição PD-9, levavam os passageiros de Belo Horizonte - MG, até à cidade de Governador Valadares - MG, passando antes por Nova Era - MG, com a famosa baldeação de passageiros, do antigo trem noturno NF-1 da E. F. Central do Brasil para o também trem noturno da E. F. Vitória a Minas, tanto na ida, quanto na volta. Agora, a sua história está sendo, aos poucos, resgatada, para que futuras gerações possam conhecer algo sobre um tempo verdadeiramente poético, romântico, sonhador e que demandava verdadeira qualidade de vida.













Quanto ao antiquíssimo Carro Leito de madeira, vale lembrar que ele é anterior aos PD-8 e PD-9, uma vez que estes últimos foram fabricados em 1957. O antigo e misterioso Carro Leito de madeira que serviu no Vitória a Minas, de 1939 à 1956 está completamente no anonimato, tendo sua memória histórica perdida para sempre, na noite dos tempos, no escuro reverso e no abismo do tempo! Bem, pelo menos até o dia de hoje, 21/05/2013 é assim.
 


Hélio dos Santos Pessoa Júnior
15/10/2010



10- Vídeo: NF-1 e NF-2, o reencontro com o passado poético

video

Vídeo de autoria de Hélio dos Santos Pessoa Júnior.

FINALMENTE,
Um vídeo sobre os antigos e misteriosos trens de passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, cujos prefixos eram, respectivamente, NF-1 e NF-2, entre Belo Horizonte - MG e a antiga São José da Lagoa - MG, posteriormente, Presidente Vargas - MG e hoje, Nova Era - MG. Este foi o trem de passageiros que esteve, por muitos anos, no anonimato da história. Em correspondência com o antigo trem de passageiros da EFVM, o PNT-1 e PNT-2 respectivamente, desde 1938 a 1953 e, posteriormente, correspondendo com o Rápido Vitória a Minas formado por carros de aço carbono e locomotiva a diesel B-12, a partir de 1954, marcou a época da famosa baldeação de passageiros da E.F.C.B., para a E.F.V.M., em Nova Era, que começou aproximadamente em 1938. Cidade que foi palco de importantes e profundos acontecimentos na história dessas duas grandes ferrovias, uma história muito antiga, que esteve prestes a desaparecer na noite dos tempos para sempre. Parte desta história está registrada neste pequeno vídeo, numa viagem fantástica, marcada por profundas emoções, à um glorioso passado poético...

Hélio dos Santos Pessoa Júnior
06/10/2010


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

9- Antiga Estação Ferroviária da E.F.Central do Brasil, construída em 1922, hoje museu de artes e ofícios


Esta foto é de autoria de Hélio dos Santos Pessoa Júnior (autor do blog), fotografada em Janeiro de 2008 na praça Rui Barbosa em Belo Horizonte - MG.

A foto mostra em um ângulo especial, a majestosa e imponente Estação Ferroviária construída pela Estrada de Ferro Central do Brasil em 1922, em ocasião da chegada da bitola larga (1,60 m) em Belo Horizonte. Nesta solene ocasião, o Rei Alberto da Bélgica, em visita especial ao Brasil em 1920, viajou num trem de passageiros especial, tracionado pela majestosa locomotiva a vapor Zezé Leoni, do Rio de Janeiro - RJ à Belo Horizonte - MG, em carros extremamente luxuosos e confortáveis. O apelido Zezé Leoni fora dado em homenagem à Miss Brasil de 1920. O Rei Alberto, bastante entusiasmado e encantado com a construção, presenteou a mesma com materiais especiais, as ferragens da portaria principal em estilo neoclássico da plataforma de embarque, bem como madeiras para as janelas! Esta foi a Estrada de Ferro Central do Brasil em Belo Horizonte, nos áureos tempos de sua glória.

8- Antiga Estação Ferroviária da Cidade de Minas, atual Belo Horizonte - MG em 1918 aproximadamente


Esta foto pertence ao acervo histórico de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo, editada no site: As ferrovias do Brasil nos cartões-postais e álbuns de lembranças - Google Livros.

URL: http://books.google.com.br/books?id=j_T1noNaMC4C&pg=PA35&lpg=PA35&dq=Lembran%C3%A7as+da+esta%C3%A7%C3%A3o+de+Belo+Horizonte&source=bl&ots=Rypq-fPCtw&sig=hyXUzexDNsuEPjq1aVUpbr0dLRY&hl=pt-BR&ei=wl_rS8GMKo2luAfvmeSfCw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBoQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false

Novamente a antiquíssima Estação de Minas em Belo Horizonte - MG, provavelmente, na mesma data da foto anterior. Essas fotos possuem um valor histórico inestimável, muito além do que o nosso pobre vocabulário possa expressar.

7- Diretores da Estrada de Ferro Dom Pedro II (Estrada de Ferro Central do Brasil a partir de 1889)

DIRETORES DA ESTRADA DE FERRO DOM PEDRO II


Christiano Benedicto Ottoni - 1855 a 1865


"Eu não construo Estrada para o Brasil de hoje, mas para o Brasil do futuro. Não podemos dividir os trens. É preciso que os trens que correm na baixada galguem a Serra para correr no planalto, senão, não haverá desenvolvimento econômico possível para as províncias de Minas e de São Paulo."

(CHRISTIANO BENEDICTO OTTONI)




Conselheiro Dr. Bento José Ribeiro Sobragy - 1865 a 1869 - 1ª Administração




Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage - 1869 a 1872





Vice-Almirante Barão de Angra - 1872 a 1873





Conselheiro Dr. Bento José Ribeiro Sobragy - 1865 a 1869 - 2ª Administração






Dr. Francisco Pereira Passos - 1876 a 1880 1ª Adm. na E.F.D.P.II.





Dr. Herculano Velloso Ferreira Penna - 1880 a 1884





Dr. Miguel Noel Nacentes Burnier - 1884




Dr. José Ewbanck da Câmara - 1884 a 1889










DIRETORES DA ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO BRASIL


Dr. Eugênio Adriano Pereira da Cunha e Mello - 1889 a 1891







Dr. João Chrockatt de Sá Pereira de Castro - 1891





Tenente-Coronel Antônio Geraldo de Sousa Aguiar - 1892 a 1893






Coronel Vespasiano Gonçalves d'Albuquerque e Silva - 1893 a 1894







Marechal Dr. Jeronymo de Moraes Jardim - 1894 a 1896







Dr. André Gustavo Paulo de Frontin 1896 a 1897 - 1ª Administração







Dr. Francisco Pereira Passos - 1897 a 1899 - 2ª Adm. na E.F.Central do Brasil





Dr. Alfredo Eugenio d'Almeida Maia - 1899 a 1900







Dr. Gustavo Adolpho da Silveira - 1900 a 1903








Dr. Gabriel Osório d'Almeida - 1903 a 1906







Dr. Aarão Reis - 1906 a 1907









Dr. André Gustavo Paulo de Frontin 1910 a 1914 - 2ª Administração





Existe uma lista de outros nomes de diretores da E.F.Central do Brasil, cujas fotos, não foram encontradas para a postagem.


21/11/1914 a 07/02/1917 – Miguel Arrojado Lisboa

07/02/1917 a 10/03/1919 – Marciano de Aguiar Moreira

11/03/1919 a 06/08/1919 – José Gonçalves Barbosa

07/08/1919 a 27/11/1922 – Joaquim de Assis Ribeiro

28/11/1922 a 16/05/1923 – Caetano Lopes Jr.

17/05/1923 a 15/11/1926 – João de Carvalho Araújo

16/11/1926 a 24/10/1930 – Romero Fernando Zander

25/10/1930 a 28/10/1930 – Luiz Carlos da Fonseca

29/10/1930 a 01/12/1930 – Caetano Lopes Jr.

09/12/1930 a 23/03/1932 – Arlindo Ribeiro da Luz

24/03/1932 a 13/08/1932 – Luciano Martins Veras

14/08/1932 a 24/10/1932 – Aristóteles de Lima Câmara

25/10/1932 a 01/02/1933 – Vitor Gustavo Mascarenhas Tamm

25/02/1933 a 30/11/1937 – João de Mendonça Lima

01/12/1937 a 17/12/1937 – Alberto Flores

18/12/1937 a 14/04/1941 – Waldemar Coimbra Luz

14/04/1941 a 05/11/1945 – Napoleão de Alencastro Guimarães

06/11/1945 a 04/02/1946 – Ernani Bittencourt Cotrim

05/02/1946 a 29/05/1948 – Renato de Azevedo Feio

10/06/1948 a 04/04/1950 – Durival de Brito e Silva

11/04/1950 a 11/08/1950 – Contram de Souza

16/08/1950 a 30/01/1951 – Jurandir de Castro Pires Ferreira

11/02/1951 a 22/01/1953 – Eurico de Souza Gomes Filho

23/01/1953 a 30/09/1957 – Jair Rego de Oliveira



Período após a criação da RFFSA

17/10/1957 a 18/05/1958 – Luiz Alberto Whately

19/05/1958 a 16/07/1963 – Jorge de Abreu Schilling

17/07/1963 a 28/04/1964 – Antônio Negreiros de Andrade Pinto

29/04/1964 a 17/05/1964 – Dionísio M. Nascimento Jr.

18/05/1964 a 24/05/1966 – Renato de Araújo

17/06/1966 a 05/04/1967 – Antônio Henrique Alves Vilhena

06/04/1967 a 18/06/1967 – Oswaldo Monachesi

19/06/1967 a 15/01/1968 – Pedro Affonso da Rocha Santos


Período da 6ª Divisão-Central

16/01/1968 a 22/07/1972 – Francisco Cruz

27/09/1972 a 07/07/1974 – Geraldo Costa Guimarães

08/07/1974 a 12/08/1975 – Antônio Geraldo Soares Berford




OBS: TODAS AS FOTOS ACIMA POSSUEM DIREITOS AUTORAIS, CUJO AUTOR AINDA NÃO FORA IDENTIFICADO.

AS FOTOS ME FORAM ENVIADAS POR PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA CEREZZO, EX-GERENTE DA GENERAL ELETRIC EM CONTAGEM - MG.