sábado, 8 de janeiro de 2011

13- Vera Cruz e Santa Cruz - O luxo e o conforto nas viagens dos sonhos


Foto de autoria de Flávio Francesconi Lage, ex-Superintendente da RFFSA em Belo Horizonte - MG.

Data da foto: 1980
Local: Pátio da Estação Ferroviária da E.F.Central do Brasil em Belo Horizonte - MG.


Depois do Cruzeiro do Sul, do Noturno Mineiro, N-1 e N-2, do Rápido R-1 e R-2 foi a vez dos magníficos e gloriosos trens Vera Cruz e Santa Cruz, novamente entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte no caso do Vera Cruz e entre Rio de Janeiro e São Paulo, no caso do Santa Cruz.

A partir de 1943, a E.F.Central do Brasil já recebera suas primeiras encomendas de locomotivas diesel-elétricas, no caso as fabricadas pela AMERICAN LOCOMOTIVE COMPANY - ALCO (BUZELIN, 2002), ao mesmo tempo em que preparava terreno para a chegada dos famosos carros BUDD em aço inóx, para formar num futuro bem próximo, o Vera Cruz e o Santa Cruz, com a inovação e implantação do CONTROLE DE TRÁFEGO CENTRALIZADO, o primeiro da América Latina (BUZELIN, 2002), na região entre Barão de Vassouras e Barão de Juparanã, na famosa Linha do Centro, em bitola larga (1,60m).

Paralelamente a isto, a indústria ferroviária dava grandes saltos de desenvolvimento nos Estados Unidos da América, com as atividades da fábrica de Edward Growen Budd, conhecida como THE BUDD COMPANY (BUZELIN, 2002), que fabricara os famosos Carros Budd, dentre inúmeras outras produções.

A CENTRAL DO BRASIL encomendou, ao todo, 63 carros à THE BUDD COMPANY, mas os carros Budd não vieram todos de uma só vez; vieram em várias remessas. Na primeira, em 1947, segundo informações de Paulo Roberto de Oliveira Cerezzo, citando BUZELIN, 2002, vieram 23 carros, dentre esses, Carros Correio com a inscrição DCT - DEPARTAMENTO DE CORREIOS E TELÉGRAFOS; Carros Bagagem-chefe de trem; Carros Restaurante e Carros Poltrona, com capacidade para 56 passageiros, chegaram no navio SS Beijeanne norueguês (BUZELIN, 2002).

Na segunda remessa, mais 21 carros vieram, dentre eles, Dormitórios com cabine dupla e outros com cabines individuais; Carros Poltrona com capacidade para 76 passageiros; Carros cauda com salão e Carros Administração e, finalmente, os 19 restantes (BUZELIN, 2002).

A viagem experimental ocorreu em 1948 e, no histórico dia de 29 de abril de 1950, aniversário da Estrada de Ferro Central do Brasil, ocorreu a viagem inaugural dos trens Vera Cruz e Santa Cruz, que impressionariam as gerações durante décadas. Foi com assombro e grande deslumbramento que a sociedade brasileira, acostumada com os carros de madeira e os de aço carbono da ACF, ainda que luxuosos e sofisticados, contemplou os belíssimos carros Budd em aço inóx, chamando os trens por eles formados de "Trem de aço", "Trem de luxo" dentre outros (BUZELIN, 2002).

Os Trens foram assim divididos: o Santa Cruz Diurno como DP-1, do Rio de Janeiro para São Paulo e o DP-2 também Diurno, de São Paulo para o Rio. Os prefixos DP, significa D = luxo; P = referênte ao ramal de São Paulo. O DP-1, segundo informações de Cerezzo, partia do Rio às 08h:00m e chegava à São Paulo às 17h:00m. O DP-2 partia de São Paulo às 08h:00m e chegava ao Rio às 17h:00m.

Havia os DP-3 e DP-4, sendo estes, porém, Noturnos, com dormitórios-cabine na composição. O DP-3 partia do Rio de Janeiro às 23h:00m e chegava à São Paulo às 08h:00m. O DP-4 partia de São Paulo às 23h:00m, mesmo horário, porém, em sentido contrário, para o Rio, onde chegava também às 08h:00m.

No caso do Vera Cruz, havia os prefixos D-3 e D-4 exclusivamente Noturnos, com Carros Dormitórios cabine dupla e individual. Trens de prefixo D-1 e D-2, no caso do Vera Cruz, somente as chamadas automotrizes (Carros Budd com motores próprios) devido a existência do Noturno Mineiro de prefixo N-1 e N-2, que existiam paralelamente com o Vera Cruz. O Noturno Mineiro existiu junto com o Vera Cruz até o dia 13 de dezembro de 1973, quando fora suprimido. As automotrizes Budd entre o Rio de Janeiro e São Paulo tinham prefixos DE-1 e DE-2.

O Vera Cruz cujo prefixo era D-3 partia do Rio de Janeiro às 20h:15m e chegava à Belo Horizonte às 08h:30m. Já o D-4, fazia o sentido contrário, partindo de Belo Horizonte também às 20h:15m e chegando ao Rio às 08h:30m da manhã do dia seguinte. O D-3 e o D-4 cruzavam-se na cidade de Ewbanck da Câmara - RJ.

Foto enviada por Wolmer Andrade
Carro Budd Cauda-Salão


Foto de autor não identificado, enviada por José Emílio de Castro H. Buzelin

Interior do Carro Budd Cauda-Salão, o mesmo da foto acima.

As poltronas, extremamente confortáveis, em alguns Carros Cauda eram giratórias, o que proporcionava maior prazer às viagens. Este carro era utilizado pelos passageiros e funcionava como uma espécie de sala de estar, para os passageiros que passavam boa parte da viagem conversando.



As automotrizes Budd, também denominadas RDC = Rail Diesel Car, sigla registrada pela Budd Manufacturing Co, entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro, no caso, as de prefixo DE-1 e DE-2, num período de 1959 a 1964, partia, a DE-1, do Rio para Belo Horizonte e a DE-2, de Belo Horizonte para o Rio. Depois, o trecho percorrido por elas foi reduzido somente entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora.

Para se ter uma idéia da beleza e design de uma automotriz, vejam a foto abaixo, embora esta seja do trecho Paraná - Santa Catarina:
Foto de autoria de José P. Vignoli, acervo de José Emílio de Castro H. Buzelin, editada no site da CENTRO OESTE.

URL: http://vfco.brazilia.jor.br

Link da foto: http://vfco.brazilia.jor.br/TU/rdc/72litorinas.shtml


Assistam ao vídeo abaixo, no qual mostra uma Litorina sendo tracionada por uma locomotiva diesel SD-40-2 da MRS-Logística:

video

Vídeo de autoria e acervo de Silvério Borges,
editado em seu canal do YouTube.


URL do canal: http://www.youtube.com/user/ssbbppnn

Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=W1a6cUrWul8







Protótipo original de planta de Litorina RDC da EFCB
Foto de acervo de Marcio Hipolito






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUZELIN, José Emílio de Castro Horta; SETTI, João Bosco; COELHO, Eduardo José de Jesus. CARROS BUDD NO BRASIL - 1: Os Trens Que Marcaram Época - pág. 18. SOCIEDADE DE PESQUISA PARA MEMÓRIA DO TREM - 2002.

Continua...


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